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As Crises do Petróleo

Desde 1859, o verdadeiro motor das expansões marítimas e das actividades económicas é o petróleo. Visitando a Pensilvânia, George Bissel encontra petróleo. Em princípio extrai-se apenas o querosene para a iluminação, mas com advento da indústria automobilística (Ford fabrica o primeiro modelo em 1896) e do avião (os irmãos Wright voam em 1903), somado à sua utilização nas guerras, tornou-se o principal produto estratégico do mundo moderno. As maiores 100 empresas do nosso século estão ligadas ao automóvel ou ao petróleo. E os nomes de John Rockeffeler (fundou a Standard Oil em 1870), Paul Getty, Leopold Hammer, Alfred Nobel, Nubar Gulbenkian e Henry Ford tornaram-se conhecidos por estarem associados ao petróleo ou ao automóvel.

Dados sobre o petróleo

Calcula-se que existam 1 trilhão de barris (1 barril = 159 litros) de petróleo, desses, 43,4% já foram extraídos e consumidos até 1990. A produção mundial anual atinge a 24 bilhões de barris, consome-se 23 bilhões e 1 bilhão vai para os depósitos (os EUA produzem 13%, a Europa Ocidental 6%, o Golfo Pérsico 27%, os outros 19%). As reservas existentes no mundo inteiro são calculadas em 137 bilhões de toneladas (67% delas se encontram no Oriente Médio).

Crises do petróleo - As crises do petróleo mostram um cruzamento de conflitos. A primeira delas ocorre entre os estados-nacionais e as grandes empresas multinacionais visando o controle do processo produtivo e distributivo. Tratou-se de uma luta em torno do dinheiro e do poder. O segundo tipo de conflito, numa etapa posterior, deu-se entre os países produtores e os países consumidores.

Estados-Nacionais X Empresas Multinacionais

A exploração dos recursos petrolíferos no Terceiro Mundo começou em 1908 com a descoberta de lençóis de petróleo no Irão. A partir de então toda a região do Golfo Pérsico começou a ser explorada. Foi o início de uma política de concessões feitas pelo Xá e por chefes tribais árabes a grandes companhias estrangeiras, particularmente inglesas (Anglo-iranian) e americanas (Texaco, Mobil Oil, Esso, Standar Oil). Dois fatores fizeram com que o petróleo passasse a ser estratégico no nosso século. Em 1896 Henry Ford começou a produzir o primeiro veículo automotor em série, Em1911, Churchill, Ministro da Marinha inglesa substitui o carvão pelo óleo como energia para seus navios.

De 1908 a 1950, as companhias multinacionais formaram impérios (eram chamadas as 7 grandes) abarcando as zonas produtoras de petróleo concentradas no Oriente Médio. Elas possuíam sua política externa, suas linhas de aviação e comunicação independentes. Os estados que existiam eram neocoloniais, dependentes, sem poder e força para disputar o controle da riqueza nacional. Essa situação começou a inverter-se a partir da 2ª Guerra Mundial. As antigas potências colonialistas perderam suas energias. Um forte movimento nacionalista teve então início. No Irão, em 1951, deu-se a primeira crise com o 1º Ministro Mossadegh que nacionalizou a British Petroleum. Mas, em 1953, a CIA e o serviço secreto inglês, reverteram a situação e Mossadegh foi deposto e o Xá Reza Pahlevi, pró-americano, entronado. Foi o ponto de partida para enfrentamentos entre os estados-nacionais da região, e as empresas multinacionais. As empresas foram vendo diminuir suas regalias sendo obrigadas a aceitar o pacto dos cinqüenta mais cinqüenta, com os estados-nacionais. A segunda crise do petróleo ocorreu em 1956 quando Nasser  nacionalizou o Canal de Suez. Contra a intervenção militar de tropas inglesas e francesas ocorreu um boicote do mundo árabe que foi contornado pela exigência dos Estados Unidos e da URSS que aquela intervenção cessasse imediatamente.

A terceira crise ocorreu durante a Guerra dos Seis Dias, quando Israel travou uma guerra fulminante com seus vizinhos. Mas a mais grave, a quarta, ocorreu durante a Guerra do Yom-Kippur, 1973, quando os árabes organizados no cartel da OPEP (fundada em Bagdá, em 1960), decidiram aumentar o preço do barril de petróleo (de U$ 2,9 para U$ 11,65), um aumento de 301%. Agora não se trata mais de um enfrentamento entre estados-nacionais e multinacionais, mas entre produtores e consumidores. A quinta crise - ocorreu como resultado da deposição do Xá Reza Pahlevi, em 1979, seguida pela Revolução Xiita que desorganizou todo o sector produtivo do Irão. A crise estendeu-se até 1981, quando o preço do barril saltou de U$ 13 para U$ 34. Ou seja 1072% em relação ao preço de 1973.A crise do Golfo

O ditador iraquiano Saddam Hussein resolveu atacar, em 1990, o emirado do Kuwait e o transformou na 19ª província da República Iraquiana. Tinha início a sexta crise do petróleo. Os Estados Unidos Conseguiram que a ONU autorizasse uma operação militar visando a desocupação do Kuwait. Em 1991, liderando uma força multinacional reconquistaram o emirado e expulsaram as tropas iraquianas. Ao bater em retirada os iraquianos incendiaram todos os poços provocando uma das maiores catástrofes ecológicas do mundo, fazendo com que grande parte da vida animal do Golfo Pérsico fosse destruída.

A intervenção internacional foi o passo inicial da chamada Nova Ordem Mundial onde o consenso das nações determinou não aceitar mais nenhuma guerra de anexação. Desde que derrotado pela Operação Tempestade no Deserto, Saddam Hussein passou a sofrer sanções. Em sua política econômica foi bloqueado por meio da proibição de vender petróleo iraquiano, bem como de importar uma série de outros produtos. No plano militar foi limitado por dias zonas de exclusão, uma ao norte, no Paralelo 36 e outra ao sul, no Paralelo 32, onde sua aviação e seus soldados não podem transitar - apesar de ser território iraquiano - sob pena de represálias. A garantia de que o Iraque terá de obedecer essas normas é reforçada pela presença da esquadra americana no Golfo Pérsico.

 






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