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A Desgraça do Ensino da História nas Nossas Escolas e a Falta da Cultura de Cidadania

  28/04/2007 (1064 leituras)



David Garcia*


Como recém-licenciado em História o que eu tenho notado ao longo da minha formação, não só desde o tempo da Escola Básica e/ou Secundária e pela fase Académica, é que de facto, a História seja ela de Portugal ou do Mundo não trata com o rigor que lhe é exigido os acontecimentos históricos e as análises político-económicas extremamente importantes para compreender as épocas que se estudam.

A partir do 10.º ano de Escolaridade, em História, fala-se:
- da Grécia Antiga – pouco ou nada se fala dos acontecimentos políticos da época, passando apenas pela "fronha" uma Análise ao sistema política Ateniense, à cultura e claro à arquitectura;
- da Roma Antiga – seguindo praticamente o mesmo como a Grécia Antiga.

De seguida, faz-se um salto para a Idade Média e o Império Carolíngio. Ninguém explica como é que caiu o Império Romano, ninguém explica como é que durante ainda bastante tempo tivemos um Império Romano do Ocidente e um Império Romano do Oriente - este que caiu em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos Turcos Otomanos.
O Império Carolíngio é retratado apenas numa questão social, pouco política.
De repente fala-se da Formação de Portugal, esquecendo completamente a Formação do Território, liderada pelos Reis. Preferindo os autores dos manuais, falarem da ocupação do território e das Leis das Sesmarias assim do nada, sem dar a perceber ao estudante a razão pela qual foi tão importante essa lei na época do Reinado de Dom Fernando I.
O Fim da Idade Média seja na Europa, seja em Portugal é falado de uma forma extremamente superficial. Fala-se da Peste Negra, mas não há uma unica página a falar da Grande Guerra dos 100 anos que opôs o Reino de França ao Reino de Inglaterra. Ninguém fala das Invasões Vikings e Muçulmanas, como seria da obrigação dessa gente, ainda nos séculos VIII, IX e X. Não há um fio condutor da História.

Quando chegamos ao 11.º ano de Escolaridade, em História, fala-se do Renascimento, mas nunca se falou da formação dos diversos Estados Italianos -Republicas, Principados e os Estados Papais. Assim como ninguém sabe o que foi o Grande Cisma do Ocidente.
Fala-se do surgimento do Protestantismo, mas ninguém fala das Guerras Religiosas, nem da mais importante que foi a Guerra dos 30 anos!
A Restauração da Independência de Portugal é praticamente esquecida, assim como se fala muito pobremente da Expansão Portuguesa e da Formação do nosso Império.
Dá-se mais importância à formação dos Impérios Holandês e Inglês e Francês. Ninguém fala da Guerra dos 7 anos assim como a Independência dos Estados Unidos da América ficou por falar. Fala-se da Revolução Francesa, mas a Revolução Liberal Portuguesa só tem direito a meia dúzia de linhas. Contudo fala-se da Guerra Civil entre Liberais e Absolutistas, mas ninguém explica o que foi a Monarquia Constitucional Portuguesa em termos políticos, mas só se fala do Atraso Industrial em comparação às Outras potências Europeias. Ninguém fala dos Impérios coloniais no Oriente e a resposta Japonesa com a Era Meiji- esta que só tem direito a meia dúzia de linhas.
São praticamente também esquecidas as Independências da América Latina.

No 12.º ano, em História os alunos começam o seu programa com a Revolução Industrial, falam das crises cíclicas do Capitalismo, mas esquecem-se completamente da riqueza política que foram os acontecimentos que varreram a Europa e Portugal no século XIX. Fala-se do surgimento das Ideias Marxistas, o Socialismo no seu esplendor, mas ninguém sabe o que foi a Comuna de Paris de 1871.
Assim como ninguém fala da Guerra Franco-Prussiana, que foi a origem da I Guerra Mundial.
Em relação a Portugal nos princípios do século XX. Fala-se da queda da Monarquia deliberadamente. Uma autêntica propaganda ao Regime Republicano. Os reinados de Dom Luís e de Dom Carlos são completamente esquecidos em termos políticos e não só. Fala-se do avanço dos ideais republicanos. Fala-se do Regicídio. Mas o reinado de Dom Manuel II é completamente esquecido.
Surge a I Republica e a propaganda republicana aí está no seio auge.
Em termos internacionais fala-se da I Guerra Mundial, fala-se da Revolução Soviética. A Crise da década de 30 e a ascensão dos regimes Fascista e Nazi na Itália e na Alemanha. A II Guerra Mundial e, claro posteriormente a Guerra-fria. O milagre Japonês e a Descolonização.
Em relação a Portugal faz-se uma análise ao Estado Novo – II Republica, mas assim que se chega ao 25 de Abril, mais uma vez a propaganda deste regime actual é notória. Tudo o que foi da II Republica foi péssimo, nada deixou que se aproveitasse. Mas com a III Republica, naturalmente tudo muda de figura. Será que intenção é propagandear para manter o status quo? Talvez....
Fala-se da criação da CEE e União Europeia como as salvadoras da Pátria.

Mas depois de tudo isto. Sem um fio condutor e racional, como é que querem que os Estudante percebam de História? Como é que ficam admirados com a tamanha ignorância que notícias, falem de estudantes que digam que Salazar como "Rei de Portugal"? Como é que há falta de rigor pedagógico? Porquê que os alunos não têm História de Portugal no Secundário ou ainda no Ensino Básico? Compreende-se que seja importante também conhecer a História Mundial para percebermos a época em que vivemos, mas é inaceitável não haver uma disciplina de História de Portugal seja no Ensino Básico seja no Ensino Secundário. Podia haver História Universal no Ensino Básico e História de Portugal no Secundário ou vice-versa. ESCOLHAM!

Como é que podem achar graça a tamanha ignorância? Este país está a viver a Era dos "Morangos com Açúcar". A Ignorância é atroz. A despreocupação é assustadora. Dá-se mais importância aos movimentos de cultura urbana como o Hip Pop, origem muitas vezes de comportamentos completamente desajustados à sociedade, onde se sustêm ideais inconformistas e revoltantes - origem de comportamentos criminais, como assaltos a supermercados, centros comerciais, a casas das pessoas, em transportes públicos, já para não falar da poluição dos grafitis em tudo quanto é sítio, incluindo monumentos nacionais, património Histórico da Memória do Nosso Povo.

E assim vai Portugal. Num clima total de irresponsabilidade social. Falta de civismo. Falta de educação nas escolas, onde vemos professores a serem agredidos pelos próprios alunos. Falaram em liberdade há 33 anos, mas não ensinaram ainda às novas gerações o civismo e respeito pelo próximo. As pessoas não perceberam ainda, que a liberdade de um acaba quando começa a liberdade dos outros.

É preciso e urgente responsabilizar a sociedade. Ter um sistema penal eficaz que puna os alunos que desrespeitam os professores e que os responsabilizem por aquilo que é Seu Dever, enquanto aluno. Que é aprender e formar-se para a vida!

Voltando um pouco atrás, voltando ao dramático Ensino da História, é fundamental que se revejam os programas que se ensine a História de modo racional com um fio condutor que faça com que os alunos efectivamente percebam o que estão a estudar. E que nunca mais se oiçam asneiras como aquela do Salazar ter sido "rei de Portugal".

*-Presidente do FDR
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