A expressão tem origem na Segunda Guerra. "Think tank" designava um grupo de estrategos empenhados em planeamento militar. Cada lado tinha os seus. A apropriação civil do conceito é atribuída à Rand Corporation, constituída em 1946, primeira entidade a ser assim rotulada, enquanto organização dedicada à investigação de políticas públicas.
Em estado puro, um think tank é uma instituição plural formada a partir da sociedade civil, com "staff" próprio, que produz conhecimento regular no intuito de promover o debate sobre políticas públicas. "Um think tank deve ser formado por um conjunto plural de interesses, mas também não é necessária uma santa e beata independência"
O Instituto da Democracia Portuguesa (IDP), com D. Duarte de Bragança como presidente de honra, assume-se como um think tank, responde Frederico Carvalho, dirigente do instituto fundado em 2007. "Não somos monárquicos. Temos pessoas independentes e com filiação em partidos de todo o espectro político, divididas por vários grupos de trabalho", salienta.
(12 de Setembro de 2008)
António Larguesa alarguesa@mediafin.pt Lúcia Crespo lcrespo@mediafin.pt
Não há uma tradição que se possa expressar sequer em idioma português, nem o próprio conceito que lhe dá nome se atreve a encontrar tradução para a língua de Pessoa. Não existe passado nem presente na história dos "thinks tanks" em Portugal (é, por isso, a primeira e última vez que aqui usaremos aspas na palavra). Um país onde não é preciso ter ideias, mas cunhas; onde quem manda é o Estado; em que se entra pela porta do ministro quando se quer obter algo. Think tank parece ser, assim, uma expressão anglo-saxónica vazia de conteúdo, espelhando uma espécie de "think blank", num país onde a maioria não sabe sequer o que é. As críticas são de sociólogos e economistas contactados pelo WEEKend. Os elogios, em tom de esperança de início de projecto, saem da boca - e também muito do coração - dos responsáveis por aquilo a que os jornais têm chamado de think tank políticos.
"Com esta dimensão e com esta ambição, não sendo algo pontual, é uma coisa nova em Portugal", acredita António Vitorino, presidente da Fundação Rés Publica, o novo think tank socialista, apresentado segunda-feira no CCB lisboeta, com alguma pompa e ansiada circunstância, pelo secretário-geral do PS, José Sócrates. Com o projecto ainda em fase embrionária, "um projecto que nasce claramente numa área política", António Vitorino vive por estes dias encantado com o seu Rés Publica: "Esperamos que produza resultados num horizonte de curto prazo".
Menos rosa, e não apenas pela cor política que lhe sintetiza os ideais, é o panorama aos olhos de Pedro Passos Coelho (PSD), mentor da plataforma "Construir Ideias", a que muitos - ele próprio? -começaram a chamar think tank. "Tem essa ambição, mas um think tank não se constrói de um dia para o outro, não nasce com essa configuração. É um estatuto que não se adquire por passo de mágica", frisa o candidato derrotado por Manuela Ferreira Leite nas últimas eleições do PSD.
Apesar de elogiar o surgimento do Rés Publica, o social-democrata Passos Coelho adverte para o risco de ele se tornar apenas num "instrumento legitimador" de posições já adoptadas.
"Os organismos à volta do PS ou do PSD não são
think tanks: são uma espécie de corte, como a que os reis dantes mantinham à sua volta", atira Maria Filomena Mónica, que "no sentido próprio do termo" diz não conhecer qualquer think tank em Portugal. Para a socióloga do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o organismo que por cá mais se aproxima de um think tank é a SEDES. "Mas tem funcionado de forma demasiado intermitente para se poder dizer que desempenhou uma função na luta de ideias", considera. "Há, depois, fenómenos como o Compromisso Portugal, que atravessam o céu como cometas", acrescenta. "Tenho as maiores dúvidas em considerar este movimento com um think tank", corrobora José Reis, economista do Centro de Estudos Sociais (CÊS). "Trata-se de um movimento político, profundamente ideológico, que defende a sua dama: o liberalismo e os interesses privados", diz. "Sendo Portugal um país pequeno, a melhor forma de se obter o que se quer é entrar destemidamente pela porta do gabinete do ministro, o qual é sempre amigo, primo ou colega de alguém que se conhece", provoca Maria Filomena Mónica.
Em estado puro, um think tank é uma instituição plural formada a partir da sociedade civil, com "staff" próprio, que produz conhecimento regular no intuito de promover o debate sobre políticas públicas. "Um think tank deve ser formado por um conjunto plural de interesses, mas também não é necessária uma santa e beata independência", sustenta José Reis. "É uma arma ideológica, um tanque que, em vez de disparar balas, atira ideias", compara Maria Filomena Mónica.
Muitas das próprias instituições alcunhadas de think tanks assumem não o ser.
É o caso da SEDES. 'Somos uma associação cívica imparcial, com grupos de trabalho e tomadas de posição. Mas não temos investigação própria", diz Luís Barata, secretário-geral da entidade. "Penso que não existem verdadeiros think tanks em Portugal, mas sim movimentos de reflexão. Quero acreditar que esses movimentos são, na sua essência, imparciais. Caso contrário, caem em descrédito", acrescenta. "Não conheço nenhum em Portugal que se possa assumir como tal. Falta o financiamento, equipas permanentes e dedicadas em full-time. Não basta ter esse nome, é precisa uma estrutura profissional que implica encargos muito elevados", concorda Tiago Macedo, do Novo Portugal, um movimento conjunto da ANJE e da SEDES, que reúne uma centena de jovens elites até aos 45 anos.
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Sedes
Se fosse um "think thank", seria o mais antigo do País. A Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (Sedes) nasceu em 1970. Nela viviam diferentes estratos sociais, formações académicas, opções políticas. Com diversos pólos regionais espalhados pelo País, a Sedes funcionava como espaço de debate e reflexão em época de proibição de partidos políticos. Humanismo, desenvolvimento sócio-cultural e democracia eram os temas debatidos. Chegou o 25 de Abril. Muitos dos seus sócios filiaram-se em partidos e integraram diversos Governos. A Sedes ficou mais pequena. Com 500 sócios, mantém-se como um espaço de debate cívico
O Compromisso Portugal (CP) é e não é. Confuso? "Será um think tank no sentido de ter promovido, a partir de um núcleo de cidadãos livres e independentes, uma discussão sobre uma nova visão para o País, nomeadamente quanto ao modelo económico-social", diz António Carrapatoso. "O CP não será um think tank no sentido de não ter uma organização formal e um staff próprio com actividade permanente, de não produzir investigação de base e de não ter uma garantia de continuidade prevista a médio prazo".
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Compromisso Portugal
Foi no Convento do Beato que, em 2004,550 empresários e académicos se reuniram para celebrar o parto do Movimento Compromisso Portugal, liderado por figuras como António Carrapatoso. A entidade debate o modelo económico e de desenvolvimento para o País, assumindo-se como uma iniciativa da sociedade civil sem alinhamentos partidários nem vocação para governar. Produz textos, tais como o documento de análise e comparação dos programas eleitorais do PS e do PSD, mas não tem uma organização formal com "staff" próprio e actividade permanente. Não produz investigação de base e não tem uma garantia de continuidade prevista a médio prazo.
O Instituto da Democracia Portuguesa (IDP), com D. Duarte de Bragança como presidente de honra, assume-se como um think tank, responde Frederico Carvalho, dirigente do instituto fundado em 2007. "Não somos monárquicos. Temos pessoas independentes e com filiação em partidos de todo o espectro político, divididas por vários grupos de trabalho", salienta.
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IDP
Nasceu em Agosto do ano passado e tem como presidente de honra D. Duarte de Bragança. Chama-se Instituto da Democracia Portuguesa (IDP). Tem um "site" intitulado somosportugueses.com. Não é um movimento monárquico, assegura Frederico Brotas de Carvalho, que integra a direcção do IDP. Assume-se como um "think thank" que visa aprofundar a democracia em Portugal, como Estado independente no âmbito da União Europeia. "Portugal é, e deverá ser sempre, um Estado independente", lê-se nos estatutos da entidade, com 200 membros, tais como Mendo Castro Henriques, que preside o IDP, António Feijó e Francisco de Mendia.
Também a Inteli, centro de investigação de políticas industriais, posiciona-se como um think tank, sustenta a investigadora Catarina Selada. "Somos uma associação privada sem fins lucrativos, com independência financeira".
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Inteli
A Inteli, associação privada sem fins lucrativos criada em 2000, define-se como um centro de inteligência em inovação. "Assim, a Inteli posiciona-se como 'think íank' para a inovação", refere a entidade. A associação, composta por uma rede de investigadores próprios, visa apoiar o processo de concepção, desenvolvimento e implementação das políticas de inovação como suporte às estratégias empresariais e territoriais, através do exercício das suas competências de "policy research" e "intelligence". Trata-se de um organismo com independência financeira, oriunda de projectos co-financiados e de serviços prestados a empresas e autarquias.
A voz de Filomena Mónica diz-nos que "a sociedade civil está-se nas tintas para os think Tanks e a maioria dos portugueses não sabe o que são nem quer saber". Mais comedido, José Reis fala numa sociedade civil fraca. Luís Barata acrescenta: "As pessoas não estão habituadas a trabalhar em grupo. Vivem em quintas", afirma. "A sociedade tem sempre precisado ou dependido da mão do Estado", diz José Reis. É eie que manda em tudo, frisa Filomena Mónica. "O elevado peso do Estado na sociedade e a capacidade que os governos têm para o utilizar, para de uma forma mais ou menos explicita condicionar ou mesmo retaliar contra os cidadãos que expressam as suas livres opiniões, é um grande factor de inibição da intervenção da sociedade civil", sustenta Carrapatoso. Numa outra perspectiva, Passos Coelho puxa a brasa à sua sardinha política: "Se não houver um interesse real pela prática política perde-se o estímulo. Fora dos partidos é mais difícil que sobrevivam".
Quem trabalha em think tanks "a sério", como Sandra Fernandes, investigadora portuguesa do Centro de Política Europeia, em Bruxelas, um dos think tanks de referência a nível mundial, lança um olhar de fora para dentro e chama a atenção para um outro problema português: "Um think tank é um lugar de grande abertura e flexibilidade em que a concorrência prima sobre os feudos pessoais. Em Portugal ainda há dificuldade em lidar dessa forma com o trabalho de investigação", critica.
O financiamento parece ser outro entrave. Em Portugal, os movimentos aspirantes ao estatuto de think tanks vivem do voluntariado. Para Tiago Macedo, do Novo Portugal, o problema é que uma reflexão imparcial exige financiamento que não seja dependente: "Sabemos que quem financia gosta de intervir". Os poucos estudos são patrocinados por empresas. Como contrapartida, têm o seu nome publicitado. O que também é uma forma de transparência, salienta o secretário-geral da SEDES. "O financiamento para a criação e sobrevivência de think tanks relativamente independentes, com 'staff e meios próprios significativos, é difícil de obter", diz António Carrapatoso, esclarecendo que o CP apenas obteve receitas com os patrocínios para as duas convenções que realizou e com a venda do livro "Revolucionários". A Rés Publica ainda está a dar os primeiros passos. António Vitorino admite, sem alarmismos de momento, que "para sustentar os estudos, a fundação terá que recorrer a doações e candidatar-se a desenvolver programas".
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IEEI
O Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais (IEEI) foi criado em 1980 como uma organização independente dedicada à investigação e promoção do debate sobre questões internacionais. É commumente apontado como um "think thank", A paz mundial, conflitos, transições democráticas, desenvolvimento social dos povos, a cooperação e integração regional, a política externa, a defesa e a segurança são os temas dominantes nas actividades do IEEI. Este instituto, dirigido por Luís Pais Antunes, e com uma equipa de investigadores própria a tempo inteiro, publica, entre outros projectos, a revista "Mundo Português".
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Novo Portugal
O Novo Portugal é apenas urna coisa que tende para um "think tank". "Tenho alguma reticência em utilizar essa terminologia porque são exigidos recursos e equipas permanentes que não temos. Temos plena consciência que não o somos", assume Tiago Macedo, comissário-geral da iniciativa "Novo Portugal: Opções de uma Geração". O grupo nasceu em Março com cem jovens até aos 45 anos e, segunda-feira, os grupos, então divididos por sete áreas, começam a pormenorizar ideias. Até ao final do ano querem apresentar os resultados a Cavaco Silva e depois, em Janeiro, essas conclusões aos partidos, antes de eles começarem a escrever os programas de governo.
Como a guerra moldou a forma de fazer política
Agostinho Leite aleite@mediafin.pt Alain Gonçalves Ilustração
A expressão tem origem na Segunda Guerra. "Think tank" designava um grupo de estrategos empenhados em planeamento militar. Cada lado tinha os seus. A apropriação civil do conceito é atribuída à Rand Corporation, constituída em 1946, primeira entidade a ser assim rotulada, enquanto organização dedicada à investigação de políticas públicas. Talvez não seja um acaso o facto desta instituição, na sua génese, ter por detrás os interesses da poderosa e dinâmica indústria de armamento nor-te-americana. A natureza bipolar do sistema político dos Estados Unidos, com a alternância das burocracias consoante o partido no poder, aliada à escassez de recursos para a investigação dentro dos partidos políticos e à complexificação técnica da administração política, estimulou o rápido crescimento no país de uma rede de "think tanks", que conhece um verdadeiro "boom" a partir dos anos 70.
De acordo com um estudo assinado em 2007 por James G. McGann, director do Foreign Po-licy Research Institute (FPRI) - um "think tank" que privilegia o estudo dos próprios "think tanks", entre as áreas de investigação que desenvolve -, existem, nos Estados Unidos, 1.776 organizações de investigação de políticas públicas, mais eficientes as que estão comprometidas com o "movimento conservador" do que as empenhadas na modelação das políticas democratas. Como sustenta Gerry Hassan, a partir de 1970, a dinâmica criada pelo grupo de "think tanks" conservadores operou uma autêntica re-fundação do Partido Republicano e conseguiu consagrar a direita como a orientação dominante da política dos Estados Unidos. "Heritage Foundation, American Enterprise Institute e Cato Institute são operações multimilionárias que tornam insignificantes, quando comparadas, as organizações congéneres democratas, e têm uma zelosa motivação ideológica para levar por diante a respectiva agenda. Seja qual for o resultado das próximas eleições presidenciais norte-ame-ricanas, este desequilíbrio no poder político e financeiro irá continuar; a infra-estrutura do 'movimento conservador' com os seus 'think tanks',
igrejas e grupos não irá, infelizmente, desaparecer", acrescenta Hassan em "The limits of the 'think tank' revolution", artigo publicado pela openDe-mocracy, um fórum "online" de análise dos media, e reproduzido pelo 'think tank' suíço ISN - International Relations and Security Network.
No Reino Unido, a criação do Institute of Economic Affairs, em 1955, e, já na década de 70, do Centre for Policy Studies, por Keith Joseph e Mar-gareth Thatcher, e do Adam Smith Institute são os marcos da "revolução" descrita por Hassan. "Estes ['think tanks'] apareceram como grupos 'outsi-der' que desafiaram o sistema político do pós-guerra, o crescimento da despesa pública e do estado de providência, e desempenharam um papel central no pensamento a que o governo de Thatcher deu corpo e que transformou o Reino Unido", escreve o autor.
A vitalidade deste movimento custou aos trabalhistas britânicos três derrotas eleitorais, até à criação do Institute for Public Policy Research, em 1988, e ainda um quarto desaire nas urnas, até ao aparecimento do Demos, em 1993. Estes dois "think tanks" estão por detrás do regresso do Labor ao poder, agora sob a nova roupagem do New Labour, desenhada para ser vestida por Tony Blair. As duas instituições são, por outro lado, os maiores percursores da explosão no Reino Unido de novas estruturas dedicadas ao pensamento político. "Depois de quatro derrotas, o Labour tinha perdido toda a confiança e o sentido de direcção [política] que o caracterizava no período pós-guerra, e olhou para o modelo dos "think tanks" como solução para o problema. Em seguida, a era do New Labour assistiu a uma explosão sem precedentes de 'think tanks' na aldeia de Westminster. Estes dois factos estão relacionados". Por outro lado, "à medida que as classes políticas se juntaram em torno do consenso pós-thatcheriano, o debate em torno das políticas e ideias transformou-se numa discussão sobre assuntos técnicos e de gestão e formas concretização", assinala Gerry Hassan.
James McGann - em "The Global 'Go-To Think Tanks' - The Leading Public Policy Research Organizations in the World" - contou 283 "think tanks" no Reino Unido em 2007. Um tal fervilhar de ideias e actividade política fez com que a "Prospect" se lembrasse, em 2001, de criar o prémio "Think Tank do ano". Foi esta competição que ganhou, em 2006, o "Policy Exchange", instituto onde David Cameron, actual líder dos conservadores britânicos, pode ter assinado, em Junho de 2005, o discurso que marca o aparentemente inexorável regresso dos conservadores ao poder, depois de um número de derrotas eleitorais equivalente ao jejum dos trabalhistas imposto pela Dama de Ferro.
A eficiência dos "think tanks" nos sistemas norte-americano e britânico de produção e/ou influência de políticas públicas não encontra paralelo em mais nenhuma parte do mundo, ainda que estas instituições se tenham estendido de forma globalizada. De acordo com McGann existiam, no ano passado, 5.080 "think tanks" nos cinco continentes, fruto de um crescimento nas últimas décadas, "nada menos do que explosivo". Em Portugal foram contabilizadas 19 instituições de investigação e análise política e de políticas, o que faz do Rés Publica, lançado, esta semana, pelo Partido Socialista, o vigésimo "think tank" português. O 21° será, assim, o Construir Ideias, com lançamento fixado pelo seu mentor, Pedro Passos Coelho, para dia 20 deste mês.
"Não apenas estas organizações cresceram em número, como o escopo e o impacto do seu trabalho se expandiu também dramaticamente", acrescenta McGann. De acordo com o estudo do FPRI, porém, o ritmo de criação de "think tanks" tem vindo a diminuir na última década. Entre as razões apontadas pelo especialista para este menor ritmo na constituição destas instituições surge, à cabeça, um reconhecido crescente "ambiente político e re-gulatório hostil aos 'think tanks' e às organizações não governamentais (ONG)". Outro motivo aventado é a alteração das prioridades de doadores privados e públicos, que terá resultado num financiamento mais "direccionado e restrito". Por outro lado, os doadores tendem cada vez mais a financiar projectos de vida curta em detrimento do "fortalecimento de capacidades e da constituição de instituições". Finalmente, e entre outras razões, a concorrência crescente por parte de organizações de advogados, empresas de consultadoria e media^ sobretudo na Internet, estão também a ter impacto "em alguns 'think tanks'", considera McGann.
O trabalho deste autor pretendeu ainda responder a uma questão recorrente e de resposta difícil: quais os "think tanks" mais influentes no mundo? McGann empenhou centenas de especialistas mundiais e chegou a duas listas, em que separou as instituições norte-americanas das restantes de forma a evitar distorções. Portugal não aparece no "top 10" mundial (sem os EUA), nem no "top 30", onde a Fundação Getúlio Vargas é o único nome escrito em português. O Instituto Estratégico de Estudos Internacionais é o "think tank" português mais influente. Nada mais natural diria Armando Baptista-Bastos. É que, como sustenta nesta edição do WEEKend, afinal "não há pensamento político português, se assim me posso [nos podemos] exprimir"...
Fonte :
Jornal de Negócios (12 de Setembro de 2008)












