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Economia : Trichet diz que bancos ameaçam democracia, em vésperas de cimeira
2010/6/25 3:29:15 (110 vizualizações)

Bancos ameaçam Democracia

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"Estou profundamente preocupado com este fosso entre os valores das nossas democracias e os valores do mundo financeiro, reflectidos particularmente nos comportamentos anormais muitas vezes observados nos últimos anos."

"Este problema está a ser enfrentado por todas as nossas sociedades democráticas e seguramente nos dois lados do Atlântico."

"os valores do mundo financeiro têm de mudar". "Se essa ética prevalecer, [o mundo financeiro] não será tolerado como actualmente é",


(21 de Junho de 2010)


Os "valores democráticos fundamentais" foram e continuam a ser ameaçados pelas práticas do sector bancário e financeiro, acusa Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Este tema deverá ser um mote na cimeira do G20 (os 20 países mais ricos do mundo), que decorrerá no próximo sábado e domingo no Canadá.

Em entrevista à edição do jornal alemão "Welt am Sonntag" deste fim-de-semana, Trichet assume um tom dramático ao invocar a democracia e a forma como esta é gravemente ameaçada pelos comportamentos excessivos no sector financeiro. Os salários multimilionários, os bónus e os benefícios alcançados a curto prazo sem que estes estejam relacionados com a economia real "estão em desacordo com os valores democráticos fundamentais", refere o banqueiro central, citado pela edição online do diário "El Mundo".

No final de Maio, em entrevista ao "Le Monde", Trichet também já tinha sido peremptório quanto a este aspecto: "Estou profundamente preocupado com este fosso entre os valores das nossas democracias e os valores do mundo financeiro, reflectidos particularmente nos comportamentos anormais muitas vezes observados nos últimos anos."

Mas será que o problema pertence ao passado?

Na mesma entrevista ao jornal francês, Trichet deixa claro que não. "Este problema está a ser enfrentado por todas as nossas sociedades democráticas e seguramente nos dois lados do Atlântico." E conclui com a afirmação de que "os valores do mundo financeiro têm de mudar". "Se essa ética prevalecer, [o mundo financeiro] não será tolerado como actualmente é", salienta.

Lehman Brothers Trichet nota que muitos banqueiros e agentes da alta finança continuam a pensar que podem agir como antes da falência do Lehman Brothers, em Setembro de 2008. Que podem continuar a vender crédito e produtos opacos, fazendo proliferar negócios com recurso a dinheiro que na realidade não existe, prometendo elevadas rendibilidades, indexando os seus salários a esses ganhos virtuais. Para Trichet, e para a maioria do consenso político internacional, essa era já acabou. Faltará convencer disso algumas pessoas no sector financeiro.

Na mesma entrevista, o líder do BCE recordou que os bancos (e o mundo tal como o conhecemos) teriam desaparecido caso não tivessem sido "protegidos" pelos bancos centrais. E condenou os governos alemão e francês por terem criticado a recente ajuda do BCE, que passou a comprar dívida pública europeia. Deviam ter "reagido com a mesma indignação à violação do Pacto de Estabilidade em 2004 como fizeram à nossa decisão de comprar dívida pública". "Os governos foram muito pouco fiáveis durante meses e anos", disse.


http://www.ionline.pt/conteudo/65496-trichet-diz-que-bancos-ameacam-democracia
http://www.news90.com/business/europe-wont-let-euro-zone-state-fail-ecbs-trichet/4639

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