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Economia : China entra em colapso social- sucessão de greves destabilizam capacidade compet
2010/6/25 12:06:15 (135 vizualizações)

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Carro oficial tombado pelos trabalhadores nas dependências da Linzhou Steel Corporation


O aumento da agitação laboral na China, que tem sido afectada por uma onda de greves e paralisações, é "irreversível" e irá retirar ao país a competitividade de que beneficia atualmente.
A crise internacional prepara-se para receber um novo impacto com a instabilidade chinesa, a menos que a China reveja a politica monetária.

Uma sucessão de greves, sobretudo no sector automóvel, com os trabalhadores a reclamarem aumentos salariais e melhores condições laborais, em muitos casos exigem o dobro do salário actual

Conflitos laborais elevam custos e consumo interno, beneficiando produção portuguesa



"O desenvolvimento que a China está a ter e a concentração da população em grandes núcleos industrializados vai trazer aumentos salariais, agitação laboral e greves. A China vai passar por todos os processos que outros países já passaram e isso vai, obviamente, começar a retirar-lhes a competitividade que têm neste momento", afirmou o presidente da AEP em declarações à agência Lusa.

"Só não sabíamos quando ia acontecer", acrescentou José António Barros.

O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) defendeu que o movimento grevista que está a ganhar expressão na China fará aumentar os custos de produção, aliviando a pressão sobre o preço das exportações portuguesas.

"Mais do que o aumento dos custos de produção, importa o aumento da capacidade de consumo, o que faz com que a China passe a exportar muito menos e a um peço superior", afirmou à Lusa João Costa, comentando o aumento da agitação laboral na China.

Em declarações à Lusa, o representante dos industriais do têxtil e do vestuário considerou que "se os trabalhadores chineses começarem a ter níveis salariais superiores, vai haver um aumento da capacidade de consumo o que é uma notícia extraordinariamente positiva".


Para o presidente da AEP, "dentro de algum tempo vai acontecer à China o que aconteceu ao Japão há uns anos atrás: O Japão há 50 anos era um concorrente inatacável pelos preços, hoje não tem preços para competir com parte nenhuma do mundo e a China chegará, eventualmente, um dia a uma situação próxima".

Algo que, salientou, "irá permitir que toda a Europa fique cada vez mais próxima da China em termos concorrenciais", esbatendo "a longo prazo a diferença nos custos de produção entre a China e o Ocidente".

Embora ressalvando que as recentes greves "não têm expressão em si mesmas num continente como é a China", Barros considerou que são "o início" e "um sinal de que um movimento começou".

Um movimento que, disse, está "associado a outros movimentos, como o envelhecimento grande que a população chinesa vai ter devido ao actual índice demográfico muito baixo na China, por causa da limitação do número de filhos".

"Isto fará com que a China tenha, em poucas décadas, um problema igual ao da Europa de hoje, o que já não acontece numa Índia, numa Indonésia, numa Malásia ou num Brasil", acrescentou.

Por outro lado, José António Barros acredita que, "no médio prazo, o mundo ocidental também não vai consentir que a China continue a deitar para a atmosfera tudo o que quiser e a fazer as emissões de dióxido de carbono que bem entender".

"Quando é que isso vai acontecer não sabemos, mas que o caminho é esse e é irreversível, é", concluiu.



As fábricas de multinacionais como a Toyota e a Honda têm sido algumas das afectadas pelos protestos, tendo o ministro do Comércio da China Chen Deming minimizado a gravidade das greves, que descreveu como "fenómenos isolados", mas já admitido que são necessários aumentos salariais para manter a estabilidade social no país.

Os conflitos laborais têm vindo a afectar sobretudo empresas estrangeiras, com os trabalhadores a apostar que estas empresas vão responder mais rapidamente às suas exigências, e com o governo a apoiar os trabalhadores, segundo os analistas.

Segundo a Federação Chinesa de Sindicatos, cerca de um quarto dos operários chineses não recebeu aumentos nos últimos cinco anos.

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